glossarios de todo tipo

Querid@s,

Sugestão de Paula Maurício!!! Visitem!!!

http://web.letras.up.pt/traducao/index_files/Page2179.htm

É um site com links para glossários de todos os tipos!

 

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livro sobre Semantica da Lg Inglesa

Encontrei (finalmente!!) o livro de Kreidler disponível na internet!

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Entrevista com Artur Ataíde

Artur Ataíde, crítico literário, um dos editores da Revista Crispim de Crítica e Criação Literária, doutorando em teoria da literatura pela Universidade Federal de Pernambuco nos deu o imenso prazer de sua presença em uma oficina sobre Tradução de Poesia na FAFIRE – Faculdade Frassinetti do Recife.

Os alunos do curso de Metodologia da Tradução, mais especificamente da disciplina de Tradução Literária (com a Profª Julia Larré) elaboraram uma série de perguntas ao convidado. Este, como de costume, nos respondeu com toda a gentileza e competência que lhe são características. Confiram a entrevista que Artur Ataíde gentilmente nos concedeu:

1.Você já traduziu em prosa e, se sim, qual foi sua dificuldade?

Já. Em dois casos, eram textos em prosa de autores que conhecemos antes como poetas (Friedrich Schiller, 1759-1804, e Torquato Tasso, 1544-1595). Lembro de ter me demorado especialmente sobre certas passagens em que o discurso, de algum modo, se solenizava, ou quando a exposição mais concatenada dava espaço a longas enumerações enlevadas, de indisfarçável força rítmica; nelas, os autores pareciam mais próximos, salvo engano, daquelas que talvez tenham sido suas ideias mais caras, mais diligentemente cultivadas – momentos-chave do texto. Por se tratar de obras mais antigas, também me vi aqui e ali insatisfeito com o vocabulário que inicialmente utilizei em certas passagens, que alterei, o que também aconteceu em função daquela mesma solenidade, presente em grau menor na totalidade dos dois textos: muitas vezes, a tradução mais óbvia para um dado vocábulo, por isso, não era a que mais se adequava ao tom geral, pedindo novos ajustes. (A visão do conjunto, sempre frisada na poesia, mostrou-se também aqui, como se vê, igualmente indispensável). As ênfases que a estrutura sintática pode depositar numa ou noutra palavra é outro elemento que pode nos preparar armadilhas; a atenção a esse aspecto se torna essencial, por exemplo, em textos em que os passos da argumentação se conectem por meio de sugestões ou ironias (é um tipo de conexão que encontramos com grande frequência em ensaios, e menos, por exemplo, em artigos científicos). Sem atenção a isso ao se traduzir, podemos pôr a perder a clareza do texto. Às vezes, por isso, é muito mais importante que se tenha uma boa experiência de leitura, em nossa própria língua, desse tipo de texto, de suas sutilezas, do que conhecer todo o repertório de conectivos da língua de partida e sua suposta melhor tradução para o português (conhecimento realmente indispensável, frise-se, mas que não resolve tudo).

Esses mesmos três elementos referidos – ritmo, vocabulário e sintaxe –, com destaque para o primeiro e o último, eu listaria como igualmente importantes noutra experiência que tive com a prosa, que foi a tradução de alguns textos curtos de Kafka. As ênfases sutis decorrentes da sintaxe, aqui, terão menos a ver com o desenvolvimento de uma argumentação do que com a hierarquização dos elementos da fábula: esse ou aquele fato, essa ou aquela circunstância. É como atentar, em cada frase, àquilo que nos pareça estar como que no primeiro plano de uma pintura, digamos, e o que mais se distribua pelos seus sucessivos níveis de visibilidade. Lembro de casos, em Kafka, em que tudo é gramaticalmente muito circunstancializado: um mundo de subordinações complexas contido em longas frases, e isso tudo precisa ser transposto sem quebra do equilíbrio, tanto sintático-semântico quanto rítmico.

As dificuldades da prosa, enfim, podem em muitos momentos se equiparar às da poesia. É menos comum, por exemplo, que o metro nos importe ao se transpor o ritmo de uma passagem de prosa, mas não é tão extraordinário assim que certa passagem só nos pareça guardar sua força expressiva se são mantidas a mesma segmentação sintática, com a mesma quantidade, e, mais raramente, a mesma acentuação.

2. A música também é um poema só que com ritmo e sinfonia. Na sua opinião, uma tradução musical perfeita teria que levar em conta a letra junto com a melodia ou simplesmente a melodia?

Quanto maiores as restrições que propusermos a nós mesmos, em busca do que cremos ser mais relevante, esteticamente falando, no original, maiores são as possibilidades de que a tarefa dê em fracasso, é bem verdade; mas é assim que também se aumentam as chances de, ao fim do trabalho, nos vermos em posse, em nossa língua, de um texto proporcionalmente memorável. Quer dizer: vale sempre a pena tentar o mais difícil, desde que, claro, acredite o tradutor que tal ou qual caminho vá lhe render algo esteticamente relevante. Acho que essa é uma diretriz geral possível de se adotar sem erro. (Não se trata, frise-se, de privilegiar a dificuldade pela mera dificuldade, o que faria da atividade de tradução um mero jogo de quebra-cabeça: há que se ter em vista sempre, como meta, a produção de alguma beleza; esse é o parâmetro). O texto a se traduzir – no caso, a música a se traduzir – é que vai nos pedir ou permitir um procedimento ou outro, sendo por isso mais decisivo do que qualquer teoria ou receituário geral (ambos podem ter sua importância, mas como ponto de partida).

3. Quais foram as dificuldades enfrentadas na primeira tradução?

As mesmas que continuo enfrentando hoje… Com o tempo, aprendemos muitas coisas, descobrimos certos atalhos nos caminhos entre uma língua e outra, mas cada novo texto – falo especificamente de textos literários – parece em poder de nos mostrar que estamos no ponto zero, ou bem próximo a ele. É interessante como ter traduzido satisfatoriamente um dado poema pode por vezes nos servir de pouco ou quase nada diante de outro. Embora consigamos nos tornar mais íntimos da sintaxe, do ritmo, do vocabulário desse ou daquele poeta, e melhorar nossa percepção geral acerca dos tantos fenômenos e procedimentos da poesia, e de como executá-los com um mínimo de sucesso, há vezes em que precisamente aquela combinação de elementos daquele poema parece resistir a toda e qualquer investida. Aí, é levantar e ir dar um volta…

4. Toda poesia (ou todo poeta) é traduzível?

Eu diria que todos são e nenhum é. E isso não é só um jogo de retórica. Uma tradução, por um lado, não nos põe em posse do original – o original, a rigor, continuamos tendo apenas se o lemos na língua de origem. A tradução de uma dada obra, por outro lado, nos dá, no mínimo, a oportunidade de experienciarmos uma determinada combinação de ingredientes artísticos ainda inédita em nosso idioma e cultura. O potencial transformador desse novo texto diante não apenas de um leitor interessado, mas também dos nossos próprios poetas em sua busca por uma linguagem própria, me parece incalculável, imprevisível. Os horizontes do que até há pouco se cria possível fazer numa dada língua – a nossa – de repente já são outros; o repertório se amplia. A tradução, sempre repito, corresponderia na verdade a um terceiro termo: nem, em absoluto, é o outro (o original), nem, em absoluto, é o mesmo (nossa cultura), mas muito de ambos ali se encontra ali num estado de contaminação mútua, indissociáveis. É nesse sentido que tudo se traduz, e que a tradução é uma atividade vital para qualquer cultura, ao mesmo tempo em que nada se traduz, ao menos não naquele sentido quimérico de se estabelecer uma equivalência absoluta entre textos: um projeto impossível, e nem sei se desejável.

5. Quais poetas você traduz?

Basta que alguma vez me veja impressionado por algum poema seu – assim tem sido, pelo menos, até hoje. Entre os que já traduzi: Montale, Dante, Hölderlin, Eichendorff, Rilke, Yeats, Auden, Eliot, Angelus Silesius, John Donne.

6. Entrar em contato com o autor ajuda ou atrapalha o processo?

Boa pergunta: ainda não tive a oportunidade de conferir, e nunca havia pensado sobre ela. Cada caso, e aqui apenas imagino, seria um caso: acredito que haja textos cuja gênese, se chegamos a conhecê-la um pouco mais, pode melhorar nossa compreensão sobre eles; mas também creio que haja outros que lograram de tal modo se desvincular de suas circunstâncias de produção, textos que de tal modo já foram alienados da vida que os produziu, que o melhor plano de referência a se tomar não é mais o do autor, e, sim, o nosso, o dos leitores que dele tomaram posse. Importariam pouco, por exemplo, a esta altura em que estamos, as revelações de Drummond sobre o seu poema da pedra (“No meio do caminho”): importariam pouco, ao menos, se as consideramos diante da memória social que já compartilhamos a respeito do texto. Depois de apropriado um dado texto pela cultura, pode ser que o seu autor, ante um hipotético tradutor, torne-se antes um obstáculo do que um aliado – sobretudo se ele for muito orgulhoso. Um exemplo brasileiro bem conhecido, no entanto, nos serve de contraponto a tais casos: o contato entre Guimarães Rosa e seus tradutores para o alemão (Curt Meyer-Clason) e para o italiano (Edoardo Bizzarri).

7. Quais as maiores dificuldades de ordem prática (técnica) que você enfrenta na tradução literária?

Creio que as listadas na resposta à primeira pergunta já sirvam como um bom resumo, mas acrescentaria: aquelas que podem advir da necessidade, inarredável, de que nos inteiremos o máximo possível sobre o contexto de produção da obra, sobre suas relações com o mundo circundante, e, igualmente, dentro do possível, sobre as questões mais prementes de sua recepção crítica ao longo do tempo, ainda que isso seja feito a posteriori – mas antes da publicação (!). As sutilezas de um texto são muitas, e, às vezes, uma pequena ênfase, ou um único vocábulo ou estruturação de sentido ambíguo, no original, pode ter sido o pivô de discussões centrais para a tradição interpretativa de um dado poema ou autor, por exemplo; embora às vezes a língua – ou nossa incapacidade como tradutores – nos obrigue a neutralizar algum fato dessa espécie, a sua transposição pode ser muito interessante, e colocará a tradução em diálogo mais próximo com toda uma série de outros textos. Ainda que não consigamos verter o tal traço, aliás, melhor será estar ciente da falta, e mesmo, quem sabe, assinalá-la numa introdução, numa nota de rodapé etc. Se conseguirmos vertê-lo, o feito poderá representar um ganho inestimável para o leitor da língua de chegada que não conheça, ou conheça pouco, a língua de saída: ele poderá confrontar uma passagem de algum modo equivalente à do original – aquela sobre a qual terá lido tantas vezes em textos críticos – com uma intimidade e uma fluência que antes disso lhe estariam vetadas. A necessidade desse tipo de pesquisa vem lembrar: uma palavra num poema não pertence apenas a ele; liga-se a todo um mundo cultural à sua volta, e as conexões latentes e relevantes podem ser inúmeras. Não deixemos que a materialidade da página impressa, por isso, nos engane: os limites do que um poema é são muito mais difusos e indetermináveis do que possa parecer.

8. Além dos seus conhecimentos linguísticos, quais os seus métodos de pesquisa ao traduzir uma obra literária (dicionários, outras traduções)?

Além de toda essa pesquisa em âmbito mais amplo, indispensável, é preciso que o “desconfiômetro” do tradutor esteja sempre no máximo. É por isso que, por mais que um texto possa matizar um vocábulo de modos imprevistos, num grau de sutileza que muitas vezes escapa à categorização inevitavelmente mais generalizante dos dicionários, o seu uso é indispensável; são essenciais, são balizas seguras, instrumentos que muitas vezes nos salvam de cometer mal-entendidos crassos e risíveis. Expressões idiomáticas, por exemplo, podem colocar qualquer tradutor numa saia justa, se traduzidas literalmente. Quanto ao recurso a outras traduções, ele pode ser útil, sim, sobretudo em passagens de difícil interpretação, mas confesso que, em se tratando de textos literários, procuro evitá-las até que tenha terminado o meu próprio trabalho, ou até que tenha seguramente ao menos esboçado o caminho que pretendo tomar em relação a tal ou qual passagem. A contaminação verbal é uma realidade: ritmos, imagens, vocábulos, construções sintáticas etc., podem se instalar facilmente em nossa memória, e já contribuir para uma condução de nossa leitura em direções específicas; acredito que a solidão com o texto original em certas etapas do trabalho de tradução, solidão em que deve se dar uma ausculta minuciosa de seus sentidos e sons, é um pressuposto básico para uma transposição plástica, viva, daquela que é sua estranheza constitutiva frente à nossa própria cultura (a começar por sua música fonética, por exemplo). É nos ocos deixados pela intransponibilidade deste ou daquele elemento textual que o tradutor terá de inescapavelmente se inserir como autor, como fazedor; daí que, se entramos em contato, de antemão, em certos momentos cruciais, com formas de codificação anteriores em nossa língua daquela mesma estranheza, talvez percamos ainda mais facilmente a oportunidade de pôr em movimento, com textos de sabor novo, o nosso repertório literário. Mas isso, claro, é só mais uma opinião entre muitas possíveis.

9. Como se faz o contato com a editora quando o tradutor pretende fazer/publicar tradução literária?

Como só traduzi poemas esparsos de poetas variados, e nenhuma obra específica, nem mesmo uma seleção de poemas mais expressivamente numerosa de um único poeta, nunca cheguei a contatar alguma editora com fins de publicação. Espero poder me dedicar a alguma empresa desse tipo o quanto antes: é apenas assim, aliás, que nos tornamos tradutores de fato ante o mercado; por ora, sou apenas um amador. Creio que em cada editora haja alguém responsável por avaliar com cuidado esse tipo de produção, e que a submissão de originais à sua análise não seja um processo complicado. Minha experiência de publicação, em matéria de tradução, restringe-se por ora apenas à internet e a revistas.

10. Até que ponto é necessário conhecer a biografia do autor ou da autora cujo texto será traduzido?

Durante algum tempo, e talvez ainda perdure a ideia, se quis que o texto fosse “apenas ele mesmo”, em todos os sentidos imagináveis. Sua relação com a história, com toda e qualquer circunstância de sua produção, deveria ser posta de lado. Uma série de argumentos talvez nos possa convencer ainda hoje de que essa é uma boa prática, ou mesmo de que há um modo de se analisar um poema que é “puramente” formal e estrutural, como se de repente pudéssemos “desligar” a situacionalidade histórica que indissociavelmente nos constitui, e que, por consequência, constitui o nosso próprio olhar sobre um poema, sobre um texto. Paradigmas dessa natureza sempre condenaram, no processo de interpretação de um texto, qualquer aproximação em relação à vida do autor, ou à discussão sobre quais terão sido as suas intenções ao escrever tal ou qual verso. Tenho para mim, no entanto, que o tradutor, diante de discussões como essa, tende a ser adepto de certo ecumenismo, para o bem de sua prática: a teoria pode dizer que o autor não importa, ou que não há estilo constitutivamente belo, por exemplo, mas um tradutor, não raramente, traduz um poema em função de um único verso que o tenha impressionado, faz eleições entre as variantes mais belas que lhe ocorram e mesmo traduz Fulano ou Beltrano também por sua admiração às pessoas que porventura tenham sido, ou por sua atuação política… O grau de relevância que tais ou quais informações “extratextuais” possam ter para um projeto de tradução, por isso, é o resultado de uma equação que o tradutor acaba tendo de refazer a cada novo trabalho. Em alguns casos, informações biográficas podem ser oportunas; noutros, inócuas ou mesmo impertinentes. Cada texto – ou cada leitura dele – parecerá a nossos olhos pedir um comportamento peculiar, como talvez já dê a pensar o exemplo que citamos do poema de Drummond, mais acima. Creio que a prática do tradutor, por isso, serve-lhe de antídoto, vale dizer, contra certos radicalismos ou simplismos teóricos.

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Uma anotação sobre tradução – por Everardo Norões

Vale a pena conferir o texto de Everardo Norões:
Uma anotação sobre tradução
Falhas de tradução podem levar facilmente a equívocos de interpretação. Exemplo: uma tradução do ensaio O narrador, de Walter Benjamin (Obras escolhidas. Magia e técnica, arte e política. Ed. Brasiliense, tradução de Sergio Paulo Rouanet).

leia mais… e comente!

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Cadernos Artesanais

Gente, estamos fazendo cadernos artesanais muito legais e de modelos únicos!!

Deem uma olhadinha no site http://edicoesmoinhos.wordpress.com e acessem a aba (no topo do site) chamada “Cadernos e Encadernações artesanais”.

 

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Pierre Menard

Pessoal,

estamos lendo o conto de Jorge Luís Borges “Pierre Menard, autor del Quijote”. Rosemary Arrojo em Oficina de tradução faz um paralelo bem interessante entre a questão da dicotomia e do dilema autor-tradutor a partir desse conto. Gostaria que vocês comentassem se perceberam – ou não – essa possível leitura do conto e que escrevessem o que acharam dele.

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dicionário de sinônimos

Mais uma ferramenta online (nada de excepcional, mas que quebra um galho danado quando falta a palavra): um dicionário de sinônimos.

Há também mais outras opções para download no baixaki.

Se tiverem outras sugestões, mandem no comentário!

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